Canto espontâneo no primeiro ano de vida? Estudo sobre uma produção vocal de um bebê de seis meses

Autores

DOI:

https://doi.org/10.33054/ABEM202634112

Palavras-chave:

canto espontâneo, produção vocal do bebê, vocalizações, musicalidade originária, desenvolvimento cognitivo-musical.

Resumo

Resumo: O bebê manifesta um interesse profundo de interagir com o outro desde o início da vida e, para isso, recorre à voz e à gestualidade. Suas produções vocais, em sintonia com os gestos, transformam-se progressivamente em fala e em canto. E, em determinado momento, emerge o canto espontâneo, dimensão significativa da expressão musical da criança pequena. A literatura indica que esse fenômeno se torna mais claramente perceptível a partir dos 18 meses. Entretanto, considerando que o aprimoramento das metodologias de pesquisa tem possibilitado um novo olhar sobre o bebê — concebido como protagonista de seu próprio desenvolvimento e dotado de intencionalidade —, apresentamos a hipótese de que o canto espontâneo possa emergir já no primeiro ano de vida. Assim, este estudo teve como objetivo analisar uma produção vocal de um bebê de seis meses, visando identificar suas características e identificá-la como canto espontâneo. No arcabouço teórico, foram utilizadas pesquisas sobre a produção vocal de bebês e estudos acerca da musicalidade originária e da gênese da música. A análise, realizada com o auxílio de softwares de análise acústica, evidenciou uma produção vocal organizada por gestos regulares, com grande extensão vocal, predominância de vogais sustentadas e alturas definidas. O bebê vocalizou por iniciativa própria, sem estímulos externos, demonstrando prazer ao cantar. Esses aspectos aproximam-se da descrição de canto espontâneo na literatura: de natureza lúdica, imprevisível e associado ao prazer. Os resultados sugerem que o canto espontâneo possa emergir ainda no primeiro ano de vida, embora sejam necessárias investigações longitudinais para confirmar essa hipótese.

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Biografia do Autor

Betânia Parizzi, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Betânia Parizzi é professora associada da Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutora em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da UFMG, com estágio pós-doutoral na Universidade Paris-Diderot (França). Atua na Graduação e na Pós-Graduação da Escola de Música da UFMG, desenvolvendo pesquisas nas interfaces entre música, cognição e desenvolvimento humano. Seus principais interesses de investigação são o desenvolvimento cognitivo-musical de bebês, as relações entre música e autismo, a pedagogia do piano e a formação do professor de música. Autora de livros e artigos, tem atuado na concepção e performance de concertos para bebês. Líder do Grupo de Pesquisa MUSICOG – Música, Cognição e Desenvolvimento Humano (CNPq), é diretora da Coleção Música e Desenvolvimento Humano da Editora Instituto Langage (SP). http://lattes.cnpq.br/7576459260804816

Carlos Freitas, Núcleo Villa-Lobos de Educação Musical

Carlos Freitas é educador musical e compositor. Graduado em Composição pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG (2021), é mestre em Educação Musical pela mesma instituição (2023). Atua como pesquisador e educador musical, com ênfase no ensino de piano, do canto e da musicalização. Sua prática docente fundamenta-se na estruturação socioemocional e no desenvolvimento da autonomia subjetiva dos alunos. No campo científico, desenvolve pesquisas acadêmicas que integram a Educação Musical e as abordagens fenomenológicas, investigando a música como um modo fundamental da existência humana e os reflexos desses processos no ensino e na aprendizagem musical. É pesquisador do Grupo de Pesquisa MUSICOG – Música, Cognição e Desenvolvimento Humano (CNPq). http://lattes.cnpq.br/4047319325134109

Gabriela Alves de Souza, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Gabriela Alves de Souza é fonoaudióloga infantil, graduada em 2020 pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É mestranda em Educação Musical pela mesma instituição. É Integrante do grupo de pesquisa MUSICOG – Música, Cognição e Desenvolvimento Humano. É terapeuta PROMPT nível 1, com aprofundamento em Transtornos do Desenvolvimento de Linguagem pela ÚNICA Cursos. Seus interesses clínicos e de pesquisa incluem: desenvolvimento comunicativo e musical no primeiro ano de vida, distúrbios do neurodesenvolvimento, linguagem infantil e transtornos dos sons da fala. http://lattes.cnpq.br/6007574432289753

Mariana Negri, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Mariana Negri é psicanalista, membro da Formação Permanente do Instituto Langage. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em titulação simultânea (cotutela) na École Doctorale Recherches en Psychanalyse et Psychopathologie (Université Paris Cité). Mestre em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e graduada em Psicologia pela mesma instituição, é membro administrativo da “La Cause des bébés – Brasil” e membro associado da WAIMH (World Association of Infant Mental Health) (França). É pesquisadora do Grupo de Pesquisa MUSICOG – Música, Cognição e Desenvolvimento Humano (CNPq) e do Babylab Cerep-Phymentin (Paris). http://lattes.cnpq.br/0777330366266419

Erika Parlato-Oliveira, Université Paris Cité

Erika Parlato-Oliveira é doutora em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), doutora em Ciências Cognitivas e Psicolinguística (LSCP-Paris), com Pós-doutorado em psiquiatria infantil (Sorbonne Nouvelle-Paris). É professora Livre Docente em Psicanálise na Université Paris Cité. É Diretora do Babylab Cerep-Phymentin (Paris), Diretora Científica do Instituto Langage (SP) e professora do Programa de Pós- Graduação da Université Paris Cité. É Coordenadora da Revista Spirale e Vice-presidente da World Association of Infant Mental Health-France. http://lattes.cnpq.br/2438837056714277

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Publicado

2026-09-06

Como Citar

Parizzi, B., Freitas, C., Alves de Souza, G., Negri, M., & Parlato-Oliveira, E. (2026). Canto espontâneo no primeiro ano de vida? Estudo sobre uma produção vocal de um bebê de seis meses. REVISTA DA ABEM, 34(1), e34112. https://doi.org/10.33054/ABEM202634112

Edição

Seção

Artigos