Entre as regras do jogo e o jogo das regras: a lógica empresarial na rede privada de ensino
DOI:
https://doi.org/10.33054/ABEM202634107Palavras-chave:
Educação Musical, rede privada de ensino, profissionalização docente, lógica empresarial, Educação Infantil.Resumo
Este artigo analisa as regras do jogo que organizam a atuação do professor de Música na Educação Infantil da rede privada de ensino, a partir do ponto de vista desses docentes. O objetivo é identificar e compreender como as regras se articulam em torno de uma lógica empresarial e quais são seus efeitos sobre a profissionalização do professor de Música. Ancorado na perspectiva bourdieusiana, especialmente nos conceitos de campo, senso prático e regras do jogo, busca-se desvelar princípios organizadores que operam de forma majoritariamente tácita na escola. Metodologicamente, a pesquisa baseia-se em entrevistas semiestruturadas com professores de Música atuantes em escolas privadas que oferecem as três etapas da Educação Básica, localizadas na cidade do Rio de Janeiro. A análise dos dados permitiu identificar regularidades relacionadas às exigências do trabalho docente, às regras comuns da rede privada e ao valor atribuído à Música e ao professor que a ensina. Os resultados indicam que essas regularidades não se apresentam de forma dispersa, mas se organizam em torno de uma lógica empresarial que redefine critérios de valoração, formas de regulação e expectativas institucionais. Embora a Música seja mobilizada como diferencial competitivo, os efeitos dessa lógica incidem negativamente sobre a autonomia pedagógica, o reconhecimento profissional e as condições de exercício da docência, configurando processos de desprofissionalização de natureza simbólica e organizacional. O artigo propõe, por fim, Quadros de Regras como instrumentos analíticos para leitura crítica do campo, sem caráter prescritivo.
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