Educação Musical, autismo e neurodiversidade: percepções e práticas de professores de escolas de música
DOI:
https://doi.org/10.33054/ABEM202533122Palavras-chave:
Neurodiversidade, Educação Musical, Autismo, Inclusão, Educação musical especial.Resumo
O propósito deste artigo é apresentar parte de uma pesquisa de mestrado desenvolvida no Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade de Caxias do Sul (UCS). O estudo objetivou conhecer as percepções dos professores de música sobre estudantes autistas em escolas de música, bem como identificar as práticas pedagógicas e os recursos utilizados. A pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, constituiu dados por meio de entrevistas semiestruturadas com sete professores que ensinam ou ensinaram música para crianças e/ou adolescentes autistas. O trabalho considerou como aporte teórico os Estudos da Deficiência e a perspectiva da neurodiversidade. A análise dos dados se deu por meio da Análise de Conteúdo de Bardin (2004) e apresenta-se aqui uma reflexão sobre as categorias um e quatro, emergentes dos resultados obtidos. O ensino musical para estudantes autistas apresenta desafios significativos para os professores, os quais destacaram a necessidade de cursos de formação específicos. A adequação de métodos tradicionais e adaptações de práticas pedagógicas são algumas das estratégias de ensino. De modo geral, observou-se que as escolas de música não estão organizadas para acolher esse público e que o acesso e qualidade do ensino ocorrem conforme a capacidade e predisposição dos professores. O estudo revelou que parte dos professores percebe o autismo como uma diferença humana com características peculiares, com dificuldades de aprendizagem e interação social que podem ser desenvolvidos por meio da musicalização.
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