Participação infantil para além da voz: o conceito de polifonia em contextos de Educação Musical da Infância
DOI:
https://doi.org/10.33054/ABEM202634110Palavras-chave:
infância, participação infantil, polifonia, Educação Musical da Infância, etnografia com crianças.Resumo
Este artigo problematiza os limites da metáfora da voz na compreensão da participação infantil e propõe o conceito de polifonia como chave teórico-analítica para pensar a presença das crianças em contextos de educação musical. Partindo do diálogo entre Sociologia da Infância e Educação Musical, questiona-se de que modo as perspetivas infantis podem ser reconhecidas para além da verbalização, sem que isso implique substituir a voz por outras linguagens, mas antes compreender a participação como composição relacional entre perspetivas infantis e adultas. O objetivo do estudo é analisar de que forma desenhos-conversados produzidos por crianças, num contexto etnográfico de educação musical coral, tornam visíveis dimensões da participação infantil que uma compreensão restrita da voz tenderia a não evidenciar. Metodologicamente, o estudo inscreve-se numa etnografia com crianças, realizada com 17 participantes entre os 7 e os 12 anos, num projeto sociocultural no interior do Paraná, Brasil. O corpus analítico centrou-se em 16 desenhos individuais e um desenho coletivo, produzidos no âmbito da técnica de desenho-conversado e analisados por meio de análise temática, em articulação com notas de campo e outros registos etnográficos. Os resultados evidenciam que as crianças reimaginam o coro como espaço de liberdade, reconhecimento, autoria e participação nas tomadas de decisão. Conclui-se que a polifonia permite ampliar a compreensão da participação infantil e oferece contributos relevantes para a consolidação de uma Educação Musical da Infância, ética, dialógica e menos adultocentrada.
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